rascunhos_ana

Rascunhos...apenas rascunhos e nada mais...

Sábado, Dezembro 31, 2011

Agradeço...

Escrito há uns anos atrás, exatamente nesta data... e ainda tudo faz sentido:

Agradeço:
- estar viva;
- ter pessoas que me amam e me querem bem;
- ter uma vida minimamente confortável;
- ter tirado o meu curso;
- ter vivido o que vivi até hoje;
- ter tido a possibilidade de entrar, participar e organizar a Festa de Natal da Coopermaia;
- poder dançar quando quero e quando me apetece;
- poder ouvir as músicas de que gosto;
- poder conhecer novas músicas que me agradam;
- ter tantos livros à minha disposição para ler;
- ter um mundo inteiro à minha volta para conhecer;
- sentir o calor do sol a aquecer-me o corpo numa manhã de Primavera;
- a minha cadela Piasca!

Prometo ter tudo isto em conta neste novo ano (2012) e completar esta lista :) ainda há muito por agradecer!

Sexta-feira, Novembro 04, 2011

Vida...

A vida é uma coisa estranha...

Quinta-feira, Fevereiro 17, 2011

Recordações... Boyz II Men

Recordando as músicas da minha infãncia / adolescência... :)





Domingo, Setembro 26, 2010

Um achado...

Hoje, por acaso, encontrei esta carta dirigida a Fernando Pessoa. Lembro-me que foi um dos primeiros trabalhos exigidos no seminário do Curso de Especialização em Ensino do Português, leccionado pela Doutora Isabel Duarte, na Faculdade de Letras da Universidade do Porto.
Deixo-a aqui... não por achar que está um fenómeno de escrita, mas porque me traz tantas recordações (boas e más)... Não a corrigi, por isso, é possível que encontrem algumas frases menos bem construídas...algumas vírgulas mal colocadas... mas vou deixá-la assim, foi assim que ela foi entregue.


Porto, 17 de Outubro de 2005

Caro Fernando Pessoa,

Infelizmente, ainda não é possível conhecer as pessoas pelas leituras que fazem das coisas que escrevemos. Se assim fosse, já me conheceria tão bem, como eu o conheço a si e as apresentações já estariam feitas. Eu já o trataria por amigo ou, somente, pelo nome, Fernando. Passaria, rapidamente, ao que me fez escrever esta carta e dispensaríamos as apresentações. Infelizmente, a vida não é assim, e apesar de ler tudo o que encontro de seu, você não me conhece e, segundo as leis deste mundo, eu também não posso afirmar que o conheço. (Os “infelizmentes” seriam muitos, mas fico por aqui).

Certamente que não o conheço. O que conheço são as pessoas que nos vai dando a mostrar nos seus textos. Os fingidos que trespassam os seus poemas. Mas isso pouco importa...

Deixe-me tratá-lo por Fernando. Aqui há dias, quando lia Um Jantar Muito Original, dei por mim a desejar que ainda cá estivesse para continuar a encantar-nos com aquilo que escreve. E foi durante esses pensamentos que decidi escrever-lhe esta carta.

Mudei rapidamente de ideias. O nosso Álvaro de Campos teria sucumbido a tanta inovação; o nosso Alberto Caeiro teria enlouquecido ao presenciar a destruição quotidiana da sua realidade; Ricardo Reis teria visto o seu epicurismo triste desmoronar-se, chegando à conclusão que para além de a água de um rio nunca ser a mesma, porque passa, ela também se mistura e desaparece, e a vida humana está cada vez mais pautada pela destruição e pelo egoísmo. E Alexander Search veria que todos estamos loucos e o seu medo tornar-se-ia realidade, para mal de todos nós.

Fico feliz por já não estarem cá. Fico feliz por poder ler cada poema e saber que nada o afectará. Fico feliz por saber que a loucura deste mundo não dará origem a mais poemas seus, que, o seu nome, Fernando Pessoa, não surgirá por baixo de um poema triste sobre os pecados que hoje destroem o mundo. Não!...os seus poemas são belos como são e já passaram por tanto...

Quem me dera poder proibir que escrevessem sobre o hoje, sobre o agora.

Mas, Fernando, já me mostrou como mesmo as desgraças que se vivem dão origem a versos dos mais belos, dos mais valiosos, dos mais sublimes...

Fico triste e feliz por já cá não estares... confuso, não? Sei que ias gostar...

Adeus. Escreva sempre. Mil abraços, mil e toda a Alma da sua,

Ana Correia

Quinta-feira, Julho 29, 2010

Percurso Literário...

No teu deserto, de Miguel Sousa Tavares já está...gostei do livro em si, mas adorei acima de tudo a descrição pormenorizada da Cláudia...torna-a tão real. Muito bom...
Segue-se A Sombra do Vento, de Carlos Ruiz Zafón. Estava em lista de espera há muito!!! Já li as primeiras páginas e já cativou a minha atenção. Tenho a certeza que vai ser mais um daqueles livros que me vai apetecer devorar... aqueles livros que nos acompanham para todo o lado (todo o lado mesmo) e que vamos lendo em todos os momentos possíveis... deve haver muito quem perceba do que estou a falar (pelo menos assim espero).
Continuo a tentar estudar o código, embora haja tantas outras coisas que me apetece fazer mais... ah e tenho de tirar um tempinho para passar pela Feira Medieval, em Santa Maria da Feira...vamos lá ver como consigo organizar o meu tempo...
Regresso quando terminar a leitura, se entretanto não tiver mais nada para contar.

Segunda-feira, Julho 26, 2010

Leituras...

Pois bem...
Ando a aproveitar para colocar as minhas leituras em dia. Há uma data de tempo que tenho um monte de livros em lista de espera...mas o tempo nunca é suficiente.
Primeiro estou a dedicar-me aos livros que me ofereceram... já não tenho coragem de dizer: "ainda não li, ainda não tive tempo".
Assim sendo, desde a semana passada li:
- Amanhecer, de Stephenie Meyer - nunca tinha lido nenhum dos livros...a visualização dos filmes despertou-me a vontade de saber o que falta acontecer na história.
- O Labirinto da Rosa, de Titania Hardie - confesso que foi um livro um pouco complicado...as muitíssimas referências culturais e religiosas tornam a leitura morosa e os enigmas difíceis de acompanhar.
- O Leitor, de Bernhard Schlink - vou ver o filme já de seguida. Espero que o filme me agrade tanto como o livro... mas normalmente isso nunca acontece...
O próximo livro já anda na carteira, No Teu Deserto, de Miguel Sousa Tavares... juntamente com o livro de código e uma lista de tarefas a realizar para o próximo ano lectivo... as férias já começam a saber a pouco e ainda estão para começar...

Terça-feira, Julho 13, 2010

De regresso...

Vamos ver se é desta que me consigo manter por cá...

Desta vez, venho apenas apresentar o site onde surge o meu projecto da Pós-Graduação em Educação Especial... confesso que não foi tarefa fácil, mas ele aí está...
Agora fazia-lhe algumas alterações, mas tudo bem...há que aceitar as coisas como ficaram feitas.

http://repositorio.esepf.pt/handle/10000/345
Faço ideia de começar a publicar alguns dos materiais que tenho criado...espero não deixar esta ideia passar...
Beijos e até ao meu regresso.

Sábado, Novembro 01, 2008

Sim, sei bem
Que nunca serei alguém.
Sei de sobra
Que nunca terei uma obra.
Sei, enfim,
Que nunca saberei de mim.
Sim, mas agora,
Enquanto dura esta hora,
Este luar, estes ramos,
Esta paz em que estamos,
Deixem-me crer
O que nunca poderei ser.

Fernando Pessoa

Quarta-feira, Julho 23, 2008

Apenas isto...

http://www.destak.pt/artigos.php?art=12124

Terça-feira, Maio 06, 2008

AlmaLuz


O sol espreguiçava-se lentamente naquele dia. As árvores aproveitavam os primeiros raios da manhã para estirar os seus rugosos braços e os pássaros iniciavam uma melodiosa ode ao dia que nascera.
Aquele era o dia mais importante de todos. Não era hábito ganharem um dia inteirinho para passear e visitar todos os sítios importantes de AlmaLuz.
Luana não dormira nada. A ansiedade apoderara-se de si e de todos os pedacinhos do seu corpo, que se agitavam freneticamente. Passara toda a noite a imaginar tudo o que iria ver. Saltou da cama mal sentiu o cheiro quente de pão fresco na cozinha e foi tomar banho. A escolha da roupa foi a tarefa mais demorada! Não estava habituada àquela missão. Engoliu o pequeno-almoço, colocou o chapéu azul, que combinava com os seus olhos, e arrastou a mãe por um braço até à escola.
Todos os meninos vinham agitados e as conversas giravam em torno daquela expedição. Braços agitaram-se no ar em sinal de adeus. Beijos ruidosos e abraços apertados ocuparam os últimos segundos em frente do portão da escola.
O itinerário era deslumbrante e apetitoso. A menina já havia passado por muitos daqueles lugares. O seu pai costumava dizer em tom sábio e solene:
- Só nos conhecemos verdadeiramente quando conhecemos a nossa história e a história do espaço que nos rodeia.
Primeira paragem: Fonte dos Amores. A professora, sempre sorridente, explicava como aquela se tinha formado e aproveitava para relatar os acontecimentos importantes que com ela estavam relacionados: a história de amor entre Pedro e Inês, que todos conheciam e a que era dedicada a estátua colocada em frente à biblioteca, bem no centro da vila. Luana não ouviu todos os pormenores românticos e trágicos daquele amor, porque se distraíra com uma horrível nuvem de fumo cinzento escura que começara a brotar do meio de uns rochedos ali mesmo ao lado.
O fumo parecia levantar-se sorrateiramente para não ser descoberto e ia espalhando um cheiro desagradável que, quando abraçava as flores e as plantas, as matava impiedosamente.
Luana sentiu um aperto no coração como se alguma tragédia estivesse para acontecer. Todos em AlmaLuz tinham aprendido a respeitar cada ser vivo como se de uma pedra preciosa se tratasse! Ver tudo morrer daquela forma magoava-a tanto como ver a mãe triste ou o irmão chorar.
- …sabem que este lugar é muito conhecido e retratado em muitíssimos livros, nomeadamente… – informava a professora.
- Já viram aquilo? – interrompeu a menina, apontando com o dedo indicador o local de onde irrompia o fumo fatal – O que será?
A professora, um pouco aborrecida pela interrupção, voltou os olhos na direcção do dedo de Luana e imediatamente deitou as mãos à cara, proferindo em seguida:
- Lamentavelmente, iremos dar por terminada a nossa visita!
Não era difícil de prever que os alunos iriam manifestar o seu desagrado.
- Oh, professora! – gritaram em coro.
- Vamos continuar! – exclamava o Miguel – Prometi ao meu irmão que lhe levava um bolo da confeitaria Doces Nuvens!
- E eu prometi à minha mãe um postal da Torre ! – acrescentava a Carolina.
Luana e a professora Teresa pareciam não ouvir os comentários dos restantes. Continuavam estupefactas a observar aquele nevoeiro mortal.
Ao fim de alguns minutos, a docente ordenou:
- Dois a dois! Dêem as mãos! Façam uma fila! Iremos regressar neste preciso momento ao centro da vila. Andar rápido! Não quero que ninguém fique para trás!
A viagem de regresso fez-se praticamente em silêncio, cortado num momento ou noutro por alguns comentários em surdina.
- É triste, mas nós não podemos fazer nada!
- Pois, podíamos ter continuado o passeio…
- Esperei tanto pelo dia de hoje… não é justo.
À chegada à escola, a professora reuniu-os na sala de convívio e pediu que permanecessem em silêncio. Depois, saiu.
Aqui e ali viam-se algumas caras preocupadas, outras tantas descontentes, mas todos esperavam ansiosamente o regresso da professora. No entanto, ela não regressou mais àquela sala. Uma funcionária avisou-os de que poderiam ir embora, pois os pais já tinham sido avisados.
Quando Luana pôs o primeiro pé à saída da escola, percebeu que todos já sabiam o que tinha acontecido na visita estudantil: algumas pessoas discutiam o assunto em grandes grupos na esplanada do café, outras circulavam apressadamente e com um ar visivelmente preocupado. A menina não se lembrava de alguma vez ter visto os alegres visitantes de AlmaLuz assim: tristes e cabisbaixos.
Em casa, todos falavam do assunto. O pai assegurava que o Presidente da Câmara já tinha sido avisado, assim como a polícia, e já estavam a tentar resolver o assunto. O avô contava que há muitos anos também se tinha verificado a saída de um fumo estranho na zona da Fonte, mas na época não tinha sido tomada nenhuma medida, porque, entretanto, o fumo desaparecera.
Foram-se passando dias e dias, foram chamados cientistas estrangeiros muito entendidos nestes fenómenos e todos diziam o mesmo: os culpados eram os habitantes subterrâneos. O fenómeno era geral, não afectava só AlmaLuz.
Luana já tinha ouvido falar destes habitantes. As opiniões eram sempre muito negativas e, com todos estes acontecimentos, pioravam a cada dia que passava.
- Como é que alguém é capaz de fazer mal àquilo que o rodeia e que só lhe faz bem? – perguntou um dia à avó que tricotava baloiçadamente uma camisola para a neta.
- Penso, Luana, que eles não têm consciência do mal que provocam quer à Natureza quer a eles próprios…
- Sim, mas também nos estão a fazer mal a nós! Olhe o Pedro da escola! Está de cama, avó, com muita febre, a garganta a doer-lhe e o médico já disse que os pulmões dele estão completamente envenenados. A Catarina e a Joana ficaram hoje de cama e a avó sabe que há muitos mais amigos nossos que estão doentes por causa daquele maldito fumo.
- Luana, já estão a tratar disso. Não te preocupes! És muito nova, não te deves aborrecer com estas coisas! – disse a avó, tentando tranquilizá-la.
Os dias e os meses iam passando. O verde vivo e alegre de AlmaLuz tornara-se cinzento morto. Já quase ninguém saía à rua, excepto quando era realmente obrigatório. Os típicos passeios ao anoitecer extinguiram-se. Já ninguém reconhecia aquela vila!
A menina passou a acompanhar o pai sempre que ele ia às reuniões em que os habitantes eram informados das medidas que estavam a ser tomadas e do seu sucesso ou insucesso, na maioria das vezes. Várias coisas já tinham sido pensadas e feitas, mas nenhuma havia resultado.
Um dia, porém, já metade dos habitantes estava acamado, numa dessas reuniões, um cientista revelou que o seu grupo de trabalho tinha descoberto a solução: encontrados os locais de onde o fumo saía, estes seriam obstruídos com uma matéria que eles haviam criado.
- Isso é uma forma de remediar este problema, não é propriamente uma solução. O fumo por certo vai descobrir novas entradas. O que faremos nessa altura? – questionou uma das habitantes.
A pergunta não obteve resposta, embora tenha dado origem a um burburinho geral.
De facto, a solução encontrada pelos cientistas resultou: o fumo desapareceu da aldeia e, pouco a pouco, as plantas foram renascendo, as flores recuperando as suas cores e os habitantes melhorando o seu estado de saúde. AlmaLuz acabou por regressar ao seu estado habitual e grande parte dos habitantes tentou esquecer o sucedido.
Passou um ano inteiro e chegou novamente a Primavera. O mesmo cenário em frente da escola se repetiu e os meninos correram ansiosos para não perder um só momento daquele passeio que tinha sido interrompido no ano anterior.
Luana ia no fim da fila, observando minuciosamente os detalhes de cada sítio, de cada planta, de cada ser. Lembrava-se do terror provocado pelo fumo em cada uma daquelas coisas. Parou a observar umas pequenas gotas de água que saíam do chão. Deu uma gargalhada: a água costumava cair do alto e não o contrário! Questionou-se sobre os motivos de fenómeno tão estranho e já se preparava para ir a correr questionar a professora, quando reparou que aquela mesma água queimara tudo em que tinha tocado.
- Não pode ser! – exclamou.
Ajoelhou-se, arranjou com as suas pequenas mãos um espaço entre as nuvens em que os seus joelhos estavam pousados, e murmurou:
- O que andarão eles a fazer desta vez?
Ao longe via um grande planeta azul e verde. Sabia que era ali que moravam os habitantes subterrâneos e o pai já lhe tinha dito que aquele lugar se chamava Terra! Não sabia como era possível que fizessem aquilo com eles próprios… Levantou-se e correu a contar à professora.
- Espero que não seja tarde demais.

Não está uma obra de arte...e de cada vez que o leio, gosto ainda menos dele...mas como fui criando o hábito de rasgar tudo o que escrevo, esta foi a forma encontrada para ir guardando alguma coisa... A ideia base surgiu aquando de um concurso subordinado ao tema do Ambiente e da Poluição...escusado será dizer que o texto nunca chegou a ser enviado, até porque na altura não estava sequer materializado...

Ainda precisa de se transformar, de se corrigir...mas o tempo tratará disso, pelo menos é assim que penso. Aceito sugestões de quem as quiser dar...